Modalidade antes usada para compra de carros eletrônicos volta a se destacar na área de serviços
Por: Naiana Oscar
Do padre ás lembrancinhas passando pelo Buffet e vestido de noiva, a administradora de empresas Ariane Guimarães e o arquiteto Pero Einsfield planejaram um casamento de R$100 mil.Já está tudo contratado para a festa marcada para março de 2012.
Falta só o dinheiro!
Estavam quase desistindo ,cortando na decoração, quando foram apresentados, no auge de seus 25 anos de idade, a um consórcio.Já tinham ouvido falar , mas na prática não sabiam do que se tratava. Eram crianças quando essa modalidade de concessão de crédito virou febre entre os brasileiros, que chegaram a se reunir para comprar vídeo cassete.
De desentendido no assunto , o casal passou aintegrar o grupo que está mais se aproveitando de uma nova onda no país iniciada no ano passado com a regulamentação do consórcio de serviços.
A modalidade inclui desde festas e casamentos, cirurgia plástica, reforma da casa,mensalidade escolar até implantes de cabelo.’’As possibilidades são praticamente infinitas’’, diz o presidente executivo da Associação Brasileira de Administradores(Abac), Paulo Roberto Rossi. O consórcio de serviços começou do zero em fevereiro do ano passado e hoje tem 30, mil clientees no país, em 22 das 280 administradoras que atuam no segmento .Funciona como um consórcio convencional, com planos que podem variar de R$2 mil a R$38 mil, divididos num período de 12 a 48 meses.
Eventos e cirurgias plásticas foram a sensações do primeiro ano com , 47% de participação.Para 2010, a meta das empresas especializadas nesse tipo de crédito é pelo menos dobrar o número de consorciados.A expectativa é expansão também no setor imobiliário, com a regulamentação do fundo de garantia do tempo de Serviço(FGTS) para quitar consórcios ou adiantar o pagamento de parcelas, como já ocorria com o financiamento. As novas regras serão divulgadas este mês pela Caixa Econômica Federal e, a partir daí, as administradoras estimam um aumento de 15% no número de consorciados á espera da casa prórpria.
Formar grupos e aguardar o sorteio para comprar veículos também é uma prática que tem se expandido em números absolutos.De um total de 19,3 milhão de cotas registradas no ano passado, 84% são destinadas á compra de automóveis e utilitários.Essas cotas tiveram incremento de 40% entre 2008 e 2009.Mas os números escondem outra tendência.Embora tenha acompanhado o crescimento de vendas internas de veículos, a participação dos consórcios despencou nos últimos dez anos- de 30% para 5%, enquanto o financiamento ganhou espaço nas compras.
O professor de finanças Ricardo Humberto Rocha, do instituto de Ensino e Pesquisa(Insper), lembra que no período em que o País enfrentou inflação galopante, entrar num consórcio era alternativa que valia muito á pena .’’O carro valorizava e, quando chegava o soretio o consorciado conseguia retirar um bem com valor atualizado.’’Hoje, Rocha só vê vantagens nessa modalidade para pesos que não conseguem poupar.”Não é um investimento.Na aplicação, a pessoa paga juros. No consórcio, arca com a taxa de administração.’’
A empresária Rosa Macial também concorda que, em alguns casos o consórcio deixou de ser um bom negócio. Mas tem apostado pesado no crescimento do crédito para serviços, especialmente para bancar festas de casamento, setor que se dedica há quase duas décadas.No ano passado, ela começou a oferecer consórcios para seus clientes.” Foi uma alternativa que se encaixou perfeitamente á nossa necessidade”, afirma.
“O consórcio exige espera e planejamento, como preparação de um casamento.”
Rosa estudou esse novo mercado antes de incluí-lo nas formas de pagamento oferecidas a seus clientes. Ela acredita que em poucos anos o consórcio de casamentos deve assumir a liderança e se distanciar das cotas para cirurgia plástica, que hoje também são uma unanimidade no segmento de serviços.”A estética é urgente, a mulher quer ficar bonita amanhã.Os noivos têm tempo”afirma.
Ariane e Pedro , por exemplo, têm precisamente 24 meses até a festa.”Quando ele me pediu em casamento não tínhamos dinheiro. Casar, com tudo o que temos direito, parecia algo impossível.
Para quem não tem essa folga no prazo, fazer o consórcio do casamento pode se tornar mais uma preocupação.Os empresários José Luiz Levy e Ivonete Pereira contrataram consórcio em outubro de 2009 para casar em janeiro. Com os 200 convites entregues ainda não tinham sido sorteados e não podiam pagar fornecedores, igreja, Buffet.” Fizemos três lances seguidos e no último, por Deus conseguimos.Foi a tampa mesmo”, afirma Ivonete.”O bom é que não vamos começar um relacionamento pensando em dívidas.
Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo - Caderno de Economia
Data: Domingo 7 de Março de 2010
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